POESIA: TEXTO PARA UMA SEPARAÇÃO

Gente... mais uma vez a poesia aterrissa aqui no blog. Este post foi encomendado por Paulinha há séculos, e eu aqui, morrendo de vergonha porque atrasei a entrega, caprichei na escolha do poema pra amiga não ficar
ainda mais brava, né?! Preparem a alma e o coração. Pegaram a caixa de lenços de papel?! Então inspire... Expire... E lá vai poema!
SEPARAÇÃO
TEXTO PARA UMA SEPARAÇÃO Elisa Lucinda
Olhe aqui, olhos de azeviche
Vamos acertar as contas
porque é no dia de hoje
que cê vai embora daqui...
Mas antes, por obséquio:
Quer me devolver o equilíbrio?
Quer me dizer por que cê sumiu?
Quer se tocar e botar meu marcapasso pra consertar?
Quer me deixar na minha?
Quer tirar a mão de dentro da minha calcinha?
Olhe aqui, olhos de azeviche:
Quer parar de torcer pro meu fim
Dentro do meu próprio estádio?
Quer parar de saxdoer no meu próprio rádio?
Vem cá, não vai sair assim...
Antes, quer ter a delicadeza de colar o meu espelho?
Assim: agora fica de joelhos
E comece a cuspir todos os meus beijos.
Isso. Agora recolhe!
Engole a farta coreografia destas línguas
Varre com a língua esses anseios
Não haverá mais filho
pulsações e instintos animais.
Hoje eu me suicido ingerindo
sete caixas de anticoncepcionais.
Trata-se de um despejo.
Dedetiza essa chateação que a gente chamou de desejo.
Pronto: última revista
Leve também essa bobagem
que você chamou
de amor à primeira vista.
Olhos de azeviche, vem cá:
Apague esse gosto de pescoço da minha boca!
E leve esses presentes que você me deu:
essa cara-de-pau, essa textura de verniz.
Tire também esse sentimento de penetração
esse modo como você me quis
esses ensaios de idas e voltas, essa esfregação
esse bob wilson erotizado
que a gente chamou de tesão.
Pronto. Olhos de azeviche, por partir!
Estou calma. Quero ficar sozinha
Eu co’a minha alma. Agora pode ir.
Gente! Cadê minha alma que estava aqui?

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